segunda-feira, junho 23, 2008
Uma espécie de Diácono Remédios
Depois de tantos anos a aprender a arte do balanço, os cálculos para não se tramar, os pequenos truques das coisas prosaicas da vida, ainda me passa pela cabeça o sentido da vida. Esta reflexão veio-me enquanto subia a escada da minha casa, para me refugiar no silêncio, depois de uma noitada feita de ruído e de olhares rápidos que pretendiam transmitir o que as palavras não podiam - por evidentes problemas de acústica. Esta imersão na multidão, na versão mundana da alegria deixou-me a braços com a minha incapacidade para me divertir... como os outros, simplesmente, incapacidade para me divertir. Dramático? Talvez não... Basta que me aceite como sou, que encontre pessoas que me aceitem como sou. Talvez sejam uma raridade, mas é melhor uma raridade valiosa do que uma manada de simpatizantes ou de conhecidos. Detesto a superficialidade com que as pessoas se satisfazem, a ligeireza com que se defendem uns dos outros. É raro encontrar alguém que queira arriscar um encontro a dois para conversar, para trocar ideias que vão para além de um comentário oportuno acerca do tempo, das férias ou do último filme que se viu. Há pouca gente que tenha a espessura ou a coragem de dizer o que pensa sobre coisas importantes da vida. Se são importantes devem permanecer secretas, íntimas, não podem ser divulgadas sob pena de gerarem estigmas perniciosos para um comportamento socialmente eficaz. Mas, que diabo vem a ser isso? Permanecer na sombra, no meio dos sorrisos de veludo que não acrescentam nada nas relações humanas, através dos quais as pessoas se defendem de putativas agressóes. Assim não se vai a lado nenhum. Fica-se sempre no limbo do conveniente, mas não se criam empatias, amizades, não se constroem laços. Como dizia Fernando Pessoa, sê tudo o que és no mínimo do que fazes. Às vezes, assim fazendo, queimamo-nos mas continuamos nós mesmos “for the better, for the worse”. Se procurarmos ser um outro eficaz, provavelmente não o conseguimos e, pior ainda, afastamo-nos do que realmente somos.
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1 comentário:
Excelente!
Nao mudes, Miguel, nao mudes.
Por aquilo que li ate agora, continuas a ser o Miguel de quem gostei e admirei tanto.
1 - Follow your heart
2 - Be true to yourself
3 - DO NOT allow fear to get in the way of your happiness
4 - Carpe Diem... e nao deixes para amanha o que podes fazer hoje :-)
Esta vida e uma escola e estes 4 pontos representam 4 licoes muito importantes que aprendi ao longo deste 1/2 seculo de existencia.
STAY TRUE TO YOURSELF and it will all work out!
Um grande abraco desde o outro lado do Atlantico.
Teresa [D.Duarte, anos 70]
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