quarta-feira, junho 11, 2008

Camionistas

Há um pequeno grupo, incluindo os que são instrumentalizados pelos patrões, que sabem ter um papel estratégico na economia: o de transportar mercadorias vitais, como combustíveis ou alimentos perecíveis. Essa pequena corporação "de má estirpe" (para mal dos pecados de numerosos bons trabalhadores e pais de família da profissão) consegue pôr a Nação de joelhos, com métodos caceteiros, disfrutando de um desmesurado poder negocial junto do Governo. Do outro lado, temos os grandes da distribuição que resistem à repercussão do aumento dos custos dos transportadores. No fim de contas, assistimos a uma batalha pelas margens de lucro de dois oligopólios: o dos transportadores e o dos grandes comerciantes. [Naturalmente, estou a deixar de fora um terceiro protagonista: o Estado que é como quem diz, os contribuintes em geral.] Se esses dois oligopólios se pusessem de acordo, o aumento dos custos seria, mais uma vez, tranquilamente, repercutido sobre os consumidores finais. Bens mais caros significa menor procura e, dependendo da elastidade-preço da procura, menor receita. Mas, a procura de combustíveis e de alimentos é geralmente insensível aos preços, pelo que, a receita poderá até aumentar com a subida dos preços... Então de que se queixam estes senhores?

Deixem funcionar a economia, isto é, façam pagar os desgraçados do costume e terão menos a perder do que pensam. É claro que estes ajustamentos levam algum tempo, a economia não funciona, no seu todo, instântaneamente. Muito mais rapidamente agem os especuladores, hélas. A não ser que se queiram aproveitar da situação para chupar mais uma vez na têta do Estado, ou seja, para desviar ainda mais o pagamento da factura da energia para cima de terceiros, ou seja, dos consumidores e dos contribuintes em geral.

A coisa é sempre a mesma: "there are no free lunches": quando a factura fica mais cara, alguém tem de a pagar, de uma maneira ou de outra: os pobres ou os ricos, os contribuintes em geral ou um grupo profissional em particular. As corporações que têm mais poder, que usufruem de algum poder de monopólio, sempre tentam puxar a brasa à sua sardinha.

O Governo deve resistir à chantagem e defender a eficiência, a equidade e a autoridade do Estado.

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