sexta-feira, junho 06, 2008
Alegre
Gostei da entrevista de Manuel Alegre. A frontalidade de sempre, a atitude clássica de uma esquerda que vem de longe, dos tempos da Argélia, uma inocência que faz bem no ambiente de cálculo que domina. O Bloco vai à boleia. O que não percebo é o que é que Manuel Alegre ainda tem a ver com o PS. Que PS ainda justifica que Manuel Alegre não se demita? Tudo bem: liberdade e pluralismo permitem uma saudável dissonância no seio de um partido, mas divergências tão profundas em relação aos valores e ao paradigma seguidos pela direcção, querem dizer ruptura... Alegre vale por si próprio, o seu percurso é eloquente, o seu espírito cívico transcende paróquias, mas não se pode transformar em estátua de sal, uma espécie de bezerro de ouro da esquerda radical que é excelente para fazer oposição, mas que não representa uma alternativa de poder. Para onde vai Manuel Alegre? Reserva independente para candidato a Presidente com os votos de um Bloco crescente, de comunistas "renovadores" e de socialistas desiludidos? Chairman de um Bloco de que Louçã seria o CEO? Uma coisa parece-me certa: Alegre e PS já não dá. Os tempos mudaram, o PS largou o heroísmo de outros tempos e Alegre não acompanhou o passo (e talvez ainda bem...).
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