terça-feira, abril 08, 2008

Sabedoria

A melhor sabedoria é a camponesa. Camponesa de Portugal, da Beira Alta. Gente de vida rude. De dificuldades. Que não se deixa levar pelos impulsos nem pela aparência. Que mede os pensamentos e as palavras sem nunca se perder da sua essência. Gente como a minha avó que se chamava... Lusitana e que guardava num sorriso matreiro um milhão de palavras, muita poesia, e sobretudo muita arte de enfrentar as adversidades. Que respeitava escrupulosamente a máxima de "quem ri no fim, ri melhor". Mulher de princípios vernáculos, traída pela cobiça, mas que não deixou de amar a vida, que nunca perdeu o respeito por si própria, que esperava serenamente pelo futuro. Mulher de rugas fundas e de mãos deformadas pelo trabalho no campo, com nós eloquentes de esforço. Já lá está "a fazer tijolo" há muitos anos, mas continua a inspirar-me e a surpreender-me pelas histórias de tenacidade que me continuam a contar. Com o tempo diluiu-se a paixão, atenuou-se a saudade. A recordação é mais tranquila. Permanece uma profunda admiração e o exemplo parece cada vez mais pertinente, resistente aos desvarios e aos acidentes da vida, forte como o granito de que é feita a casa em que viveu.

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