segunda-feira, abril 21, 2008

Kim

Os anos passam. Há prioridades que deixam de o ser, feridas que se abrem e que tardam a cicatrizar. Um dia acorda-se e a ilusão em que se navegou aparece, eloquente, como isso mesmo: uma ilusão. Olhou-me - o "iron man", o paradigma do sucesso ambiente - com uma lágrima escondida ao canto do olho a dizer que doía, que doía a separação que se estava a esboçar, irreversível como a noite de todos os dias. Francamente, tive pena dele. Mas, à compaixão juntaram-se respeito e muita admiração porque, finalmente, ousava mostrar-se humano, fraco como os humanos também são, vulnerável e cheio de emoções contraditórias, prontas a explodir. Falou, falou, falou, a sangrar sofrimento. Apeteceu-me abraçá-lo como se abraça um amigo que se descobre inesperadamente. Não o tinha na conta de amigo, como se escreve Amigo com A maíusculo. Por isso me surpreendeu a sua franqueza, sintoma de uma enorme fragilidade e de carência de humanidade. Despediu-se a pedir sigilo e compreensão. Como se fosse preciso. Esse resto de orgulho de que se faz a estima de si mesmo, um heroísmo patético de quem não pode deixar de chorar. Para poder depois levantar-se mais forte com o coração conciliado com a razão.

2 comentários:

Anónimo disse...

miguel o Coração numca já mais com passado presente futuro cocilia a razão, então o Colo..A ..P.e..da Alma...

bebe disse...

miguel sou eu não anónimo,odeio essa palavra sem nada a razão não faz eco ao coração......A...P.....e a Alma miguel.......